quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sony pode ter prejuízo de 1,5 bilhões



A Sony pode enfrentar processos judiciais em todo o mundo pela demora em revelar uma violação da segurança na PlayStation Network, o que enfureceu jogadores dos videogames PlayStation 3 e PSP e causou queda de quase 5% nas ações da empresa em Tóquio.
A Sony desativou a rede em 19 de abril, depois de descobrir a violação, uma das maiores infiltrações online em bancos de dados já registrada. Mas foi apenas na terça-feira (26) que a empresa informou que o sistema havia sido invadido e que dados dos usuários podiam ter sido roubados.
Nos Estados Unidos, diversos legisladores falaram sobre a invasão, na qual hackers roubaram nomes, endereços e possivelmente detalhes de cartões de crédito de 77 milhões de usuários. Um escritório de advocacia da Califórnia abriu processo em nome dos consumidores.
"Os jogadores estão furiosos pelo presidente-executivo não ter explicado a situação e os investidores estão decepcionados com a governança corporativa da empresa", disse Michael Wang, administrador de fundos internacionais da Prudential Financials, em Taipé, que detém ações da Sony.
A PlayStation Network, um serviço da Sony que gera receitas anuais estimadas em US$ 500 milhões, oferece acesso on-line a jogos, filmes e programas de TV. Cerca de 90% de seus usuários afirmam que estão baseados nos Estados Unidos ou Europa.
Larry Ponemon, fundador e presidente do Ponemon Institute, disse que o roubo poderia custar mais de US$ 1,5 bilhão à Sony, equivalente a uma média de US$ 20 para cada um dos 77 milhões de usuários cujos dados podem ter sido comprometidos. A empresa de Ponemon se especializa em proteger informações armazenadas em redes de computadores.
Analistas disseram que jogadores que planejam adquirir um console de videogame podem optar pelo Xbox, da Microsoft, que conta com uma popular rede on-line, por conta destes problemas com a rede do PS3. "Estou indignado por minhas informações pessoais terem sido acessadas por hackers", disse Rich Chiang, usuário do PlayStation e Xbox em Xangai.
Especialistas em segurança dizem que a Sony terá de responder pela perda de negócios, bem como pelos danos à sua marca, quando computar o custo do incidente. Outras despesas relacionadas incluiriam a notificação dos clientes quanto ao ataque e a contratação de especialistas para reparar a rede.
A Sony afirmou que a demora em notificar o público foi necessária para a realização de uma investigação forense, mas o caso está rapidamente se tornando um pesadelo de relações públicas semelhante ao da resposta demorada da Toyota Motor relacionada a um recall gigantesco de veículos no ano passado, o que alimenta as críticas à falta de transparência das grandes empresas japonesas.
Nem Howard Stringer, o presidente-executivo da Sony, e nem Kazuo Hirai, que foi indicado como segundo em comando da empresa no mês passado depois de comandar a criação dos serviços de rede da companhia, comentaram o assunto publicamente.

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